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Poema de Jacques Prévert

Original:

Le Cancre

Il dit non avec la tête,
mais il dit oui avec le coeur.
Il dit oui à ce qu’il aime,
il dit non au professeur.
Il est debout.
On le questionne,
et tous les problèmes sont posés.
Soudain le fou rire le prend
et il efface tout:
les chiffres et les mots,
les dates et les noms,
les phrases et les pièges.
Et malgré les menaces du maître,
sous les huées des enfants prodiges,
avec des craies de toutes les couleurs,
sur le tableau noir du malheur
il dessine le visage du bonheur.

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(minha) Tradução:

O Mau Aluno

Ele diz não com a cabeça,
mas diz sim com o coração.
Ele diz sim a quem ele ama,
ele diz não ao professor.
Ele está de pé.
Questionam-lhe,
e todos os problemas são apresentados.
De repente o riso louco o toma
e ele apaga tudo:
os números e as palavras,
as datas e os nomes,
as frases e as armadilhas.
E malgrado as ameaças do mestre,
sob as vaias dos meninos prodígios,
com gizes de todas as cores,
sobre o quadro negro da desgraça
ele desenha um rosto de felicidade.

Sonetos de Bocage

Gostaria de compartilhar aqui dois belos sonetos de Manuel Maria du Bocage, famoso poeta português.



Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava;
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua orgia dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, oh Deus!... Quando a morte à luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.


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Já Bocage não sou! . . . À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento . . .
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.


Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa! . . . Tivera algum merecimento,
Se um raio de razão seguisse, pura!


Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:


"Outro aretino fui . . . A santidade
Manchei . . . Oh!, se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na Eternidade!"