Xadrez

Com os pisos branco-e-pretos,
sempre aos pares nós andamos.
Não paramos por ninguém
e ninguém nos parará.
Nós passamos sobre as peças,
suas casas, seus domínios.
Elas são nossos amigos,
inimigos ou são nada.

Com os pisos branco-e-pretos,
nós andamos sempre juntos.
Não corremos pelo tempo
e não temos nenhum medo.
Nossos passos que se seguem
um a um, dois por dois,
indo até nosso final,
à coroação, enfim.

Sonetos de Bocage

Gostaria de compartilhar aqui dois belos sonetos de Manuel Maria du Bocage, famoso poeta português.



Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava;
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua orgia dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, oh Deus!... Quando a morte à luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.


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Já Bocage não sou! . . . À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento . . .
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.


Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa! . . . Tivera algum merecimento,
Se um raio de razão seguisse, pura!


Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:


"Outro aretino fui . . . A santidade
Manchei . . . Oh!, se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na Eternidade!"

Medo do Escuro

        Vocês todos presenciaram. A luz minguando, oscilando lentamente, diminuindo até apagar. Não só uma, todas. Todas as luzes apagaram. Certamente restaram as luzes de emergência, mas essas nada fazem senão nos livrar da morte, na medida de seu alcance. E pouco elas durarão, se a escuridão que cobre casas, prédios e cidades não se retirar.
        Talvez as usinas hidrelétricas tenham parado. Talvez as águas que por elas corriam pararam de correr. E não é necessário que se explique como e por que isso aconteceu. Mas, mesmo não sendo necessário, pode trazer satisfação a tantos que procuram um motivo, além de trazer uma ocupação a um jovem em meio ao escuro.
        Talvez tenham as águas cansado de se mover. "Mas a gravidade é que as move" - diria alguém tentando parecer sensato. Cansou-se então a gravidade de mover as águas das hidrelétricas! Uma greve da natureza contra os homens. E então diriam os ambientalistas: "Dissemos que a natureza iria cobrar caro." Mas nem eles têm razão, pois consideram a natureza um funcionário explorado que morre fadigado em meio ao trabalho. E sabemos que não é esse o caso. Multidões de funcionários podem ser levados a uma greve mesmo que não estejam sendo cruelmente explorados, bastando para isso um sindicato bem articulado e com grandes interesses.
         Mas, se apenas as águas parassem, o que importaria? Importaria aos peixes, aos seres fluviais, e não aos humanos egoístas. Só importa a nós agora pois essa paralização nos tirou a luz. Vimo-la minguar, oscilar, diminuir até apagar, tudo isso com nossos próprios olhos. E quase nenhum de nós pensou que pudessem ser todas as luzes que se apagaram, até obter notícias de desesperados distantes.
        A luz faz falta. Sem elas, foi-se o trabalho, foi-se o trânsito, foi-se a nossa comunicação. Este texto mesmo só será divulgado se a luz voltar, pela volta do movimento das águas ou por outro motivo.
         Na noite, criam-se novas luzes nos quartos. Fogo, tal como nos tempos de nossos antepassados. Um fogo fraco, mais natural que as lâmpadas. Junto das velas, os que crêem e os céticos, mesmo que inconscientemente, fazem preces para que a luz volte em breve, pois temos medo, medo do escuro.

Texto escrito na terça-feira, durante o apagão, à luz de uma vela fraca.

Na véspera

        Era uma quinta-feira à noite, eu estava acordado tentando achar uma idéia para fazer uma redação. Às seis horas da manhã do dia seguinte teria que acordar e ir à escola. Escola boa, escola de bacana, e eu, lá no meio, era a exceção: morava, não em um apartamento chique ou em um sobrado de janela bonita, e sim em uma pensãozinha mixuruca.
        A pensão ficava em um bairro bonito da capital, no mesmo bairro da escola. Quem pagava a escola era minha madrinha Tia Alice, que tinha dinheiro, ao contrário de meus pais. Mas quem disse que eu gostava? Para estudar lá eu não podia morar na minha cidade, tinha que morar na pensão; além disso eu era um vagal: detestava ler textos e fazer tarefa de casa. Mas o problema era o seguinte: nesta quinta-feira eu tinha que fazer uma redação para entregar ao Prof. Clóvis sexta.
        O Prof. Clóvis era um sujeito alto, negro, de barba e cabelo brancos. Agia como um sargento ao corrigir nossas composições. Mas nesta quinta, nem idéias medíocres passavam pela minha mente. Só o sono. Eu estava quase dormindo quando uma idéia, pior que medíocre, iluminou minha mente.
        No quarto de Edgar, filho do dono da pensão, há um computador. Edgar era muito amigo meu. Sujeito simples, magrela, era esforçado e estudioso, o oposto de mim. Entrei no quarto dele; sabia que ele costumava ficar até tarde na Internet. Pedi pra usar o computador e ele deixou. Era só um minuto. Entrei em um site de busca e digitei o tema da redação, cliquei em qualquer link, copiei um texto e imprimi. Era minha redação a partir de agora. Finalmente poderia dormir.
        No dia seguinte, fui à escola, assisti às aulas e entreguei a redação. O Prof. Clóvis não se importou da redação ser impressa. Lembrei da Tia Alice, quando olhava para mim, com aqueles olhos azuis dengosos como quem dizia “esse é meu sobrinho amado, de quem me comprazo”. Me senti culpado, mas era o único jeito. E plagiar um texto não era um pecado muito grande.
        Assisti às aulas e voltei para casa (casa nada, a pensão). Almocei e fui ver o Edgar, lá no quarto dele. “Meu! Que site que você andou vendo ontem?” ele me perguntou, logo que ele me viu. Falei que só tinha pegado um texto de um site que nunca tinha visto. “Olha só. Ta aqui no histórico: você entrou em um desses sites de neonazismo.” Eu fiquei branco quando lembrei que meu professor era negro. Havia dado um texto neonazista para meu professor de redação. “É melhor você fugir cara! Racismo é crime grave, você pode ir preso.” Eu gelei de medo. Eu não podia ir preso! O que a Tia Alice iria dizer se soubesse que eu estava na FEBEM ou em um presídio? “Vai rápido, junta suas coisas; depois você acerta o aluguel do quarto com minha mãe. Mas agora você tem que ir pra longe e torcer pra esse tal de Clóvis demore pra corrigir sua redação” aconselhou o meu amigo. Foi exatamente isso que eu fiz: arrumei uma mala, peguei o dinheiro que me restava e saí correndo em direção à próxima estação de metrô.
        Virei a esquina e saí correndo. Peguei um metrô até a estação da Luz. Cada pessoa que me olhava parecia estar me perseguindo. Eu estava desesperado. Na estação, peguei um trem para outra cidade. Estava numa enrascada.
        Fui parar em Jundiaí. Foi a pior sexta-feira da minha vida. O dia, mesmo sem atrativos, provas ou aulas, pareceu durar o triplo do normal. Dormi em uma pensão perto da estação de Jundiaí.
Sábado de manhã botei o pé na rua, para ver o que ia fazer da vida. Talvez me entregasse, explicava o que aconteceu... Quem acreditaria que foi sem querer? Só Edgar e Tia Alice, que sempre acreditou em mim. Ela nem poderia imaginar o que estava acontecendo.
        Ao passar por uma banca de jornal fiquei surpreso. Eu esperava ver algo do tipo “Aluno insulta professor negro” ou “Texto neonazista é escrito por aluno do ensino médio”. Não, o que eu vi foi a data: “Sábado,  dia 2 de abril de 2007”. Abri minha mala e procurei o papel onde havia anotado o telefone da pensão. Não achei. Achei outro papel escrito assim:
        “Toma jeito cabeção. 1º de abril. Edgar”

Texto escrita em uma quinta-feira de 2007, à noite, às vésperas de entregá-lo para meu professor de redação. O título foi colocado apenas hoje.

Ao 9º de Dante

        O escritório estava inquieto, como era comum em toda manhã de terça-feira. O dia anterior havia aquecido os motores descansados no fim de semana, e agora todos se preparavam para trabalhar em ritmo intenso, como exige a vida.
         Alberto organizava os papéis cheios de dados obtidos na reunião da semana passada. Apesar de ser bem cedo, ele já estava suficientemente acordado. O tempo passava rápido para ele, e rápido também era o que havia de ser feito. Muitos lá na empresa estavam assustados, ficavam ouvindo notícias ruins sobre crise e demissões. O pessoal da contabilidade principalmente, eles sabiam mais sobre falta de capital. Alberto, no entanto, estava bem tranquilo. Outros assuntos eram, para ele, mais complexos ou interessantes, dignos de um lugar em sua mente.
          Algumas janelas abertas traziam um vento suave próprio da primavera para dentro do escritório, dando a alguns vontade de sair do alto edifício e aproveitar melhor o belo dia. Alberto traía essa sua vontade, criando motivos e desculpas para permanecer em seu lugar.
         Se pudesse ver o sol, saberia que a manhã se aproximava do fim. Porém, vendo o relógio do computador, sabia precisamente que eram dez horas e oito minutos naquele instante. Conferiu o horário obtido olhando seu relógio de pulso. Seria imprudente confiar muito em um só relógio. E nesse instante foi que Diana veio até a sua mesa e disse, de forma um tanto indiferente, que o patrão lhe estava chamando em sua sala.
         Alberto não entendia por que Diana ainda dissimulava o envolvimento mais que profissional que havia entre ele e ela. O conhecimento sobre seu pequeno e desimportante caso já estava espalhado extra-oficialmente por todo o departamento, transmitido por tantas línguas afiadas e de aparência inofensiva. E não seria tão difícil notar o que ocorria mesmo sem as fofocas, pois Diana não conseguia ocultar todas as suas emoções de modo eficaz, nem Alberto poderia esconder de seus colegas todos os olhares indiscretos que dirigia a ela.
          Mas o patrão lhe chamava. Numa visão otimista, ir até a sala do próprio chefe era um pequeno mas confortável intervalo do labor. Então ele se levantou lentamente e se dirigiu à sala com passos largos e vagarosos. Antes, é claro, agradeceu a Diana pelo aviso com um "obrigado" sussurrado e um sorriso muito mal contido.
         Abriu a porta de leve para ter certeza de que era bem-vindo e, ao ouvir um "entre" sonoro do outro lado, pôs-se inteiramente dentro da sala.
          - Sente-se Alberto - disse o patrão, de modo cordial.
         Alberto se sentou na única cadeira disponível, em frente à mesa do patrão. A cadeira era mais macia e confortável do que a cadeira de sua mesa, e a cadeira em que o patrão estava sentado à sua frente parecia ainda melhor. "Preciso arranjar uma cadeira como essa." - pensou Alberto.
          - Alberto, você deve estar ciente da situação atual da empresa e do nosso departamento.
          - Sim, Sr. Fernandes, todo mundo está falando. - respondeu o funcionário.
          - Todo mundo sempre fala Alberto, mas nem sempre dizem o que é necessário. Mas sim, esse rebuliço todo de mercado financeiro afetou de forma considerável o nosso orçamento. E algumas ações devem ser feitas. Eu pensei muito no final de semama e ontem, e, infelizmente, cheguei à conclusão de que devo demití-lo.
          Alberto não respondeu. Só ficou olhando para a mesa do chefe sem foco algum, tentando enxergar o motivo. O patrão retomou a conversa:
          - Passe no R.H., você receberá tudo o que tem direito.
          Mas Alberto ainda estava absorto em pensamentos. Por que ele? Por que não o Rodrigo que era novo por ali e não conhecia o pessoal direito? Por que não o Silveira que havia discutido com o Sr. Fernandes há poucas semanas?
         - Sr. Fernandes... - disse Alberto hesitante. - Se me permite, gostaria de saber qual critério o senhor usou para me escolher. Tenho certeza de que não foi por falta de eficiência.
         - Não tenho o dever de lhe explicar minhas decisões - disse o patrão severamente. - Mas acho que posso dizer algumas coisas. Você não é o funcionário menos eficiente, nem é o melhor dos que a aqui trabalham. Porém alguns dias atrás eu fiquei sabendo de você e a Diana, e isso influenciou muito a minha decisão.
         - Mas... nós não nos encontrávamos em horário de trabalho.
         - Eu sei. Eu teria notado a falta de vocês caso isso ocorresse.
         Sem compreender a relação entre seu caso com Diana e a demissão inesperada, Alberto começou a ficar ainda mais confuso e nervoso. Ele olhou para o Sr. Fernandes simulando uma certa calma e inocência:
          - Acho que minha vida pessoal não deveria ser levada em conta.
          - O grande problema, Alberto, é que a vida pessoal e a vida profissional são vividas pela mesma pessoa, se entende o que quero dizer. - disse o patrão com um pequeno sorriso, como de quem aprova a qualidade da própria frase. - Você é casado, não é? Creio que poucos no escritório sabem disso.
         Agora Alberto começava a ficar com raiva. Seus olhos se fixaram nos do patrão cheios de ira, e com essa mesma ira ele gritou:
          - Sou! Por que se importa com isso? Isso não interessa!
          Os funcionários do lado de fora da sala puderam ouvir o que Alberto disse, e todos se impressionaram com a temperatura da discussão, porém poucos sabiam o assunto.
         - Realmente. - disse o Sr. Fernandes, cheio de calma, mostrando um perfeito auto-controle, uma das características que certamente contribuíram para que ele chegasse a seu atual cargo. - Agora já não me interessa mais. Mas deixe-me dizer uma coisa Alberto, algo que talvez você não tenha ouvido ainda.
          Os dois continuaram se olhando fixamente. Sr. Fernandes austero e calmo e Alberto nervoso a ponto de deixar grandes marcas de suor em sua bela camisa azul.
         - Se você acha que o seu caráter não é de meu interesse, se engana profundamente. Se você é capaz de, naturalmente, enganar sua esposa, desprezando toda e qualquer confiança que ela deposita em você, por que eu deveria esperar que você honre a confiança que eu tenho em você no trabalho? Por que eu deveria esperar que você dê algum valor à ética com seus colegas ou até mesmo com a empresa? Por que alguém deveria confiar em você, Alberto?
         - Dê suas lições de moral a outro! - gritou Alberto, levantando-se da cadeira.
          Alberto saiu da sala. Bateu a porta com toda a raiva que podia transmitir aos braços. Não olhou nenhum dos colegas, que o viam com o canto dos olhos, fingindo que não haviam escutado, ou tentado escutar, a discussão.
         Foi até o R.H., assinou os papéis, recolheu os pertences sobre a mesa que já não seria mais dele. Não olhou para ninguém. Nem para Diana, que constantemente o olhava com um jeito preocupado e ameaçando chorar. Diana temia ser também demitida.
          Alberto saiu do prédio, sem vontade nenhuma de contemplar o céu claro sem nuvens. Ele saiu sem se despedir de ninguém. Não se despediu de Diana, e nunca mais conversaria com ela. Não se despediu de sua cadeira, e nunca mais se sentaria nela. Simplesmente saiu, entrou no carro, colocou a aliança que estava escondida no porta-luvas e foi-se embora, torturado como se estivesse no 9º de Dante.

Soneto

Desço o "s" da rua lentamente
assoviando pássaros no ar.
Meus passos não têm pressa. Devagar
sinto me refrescar o vento à mente.

Será pois isso que meu corpo sente
mentira? Quem pois tenta me enganar?
Os meus sentidos? Posso eu afirmar
que o que vejo existe realmente?

Ninguém em sã razão afirmaria
ser falso, uma ilusão, ou mentiroso
esse, da flor, perfume que se evola!

Concluo enfim a vil filosofia
andando tão sem pressa, vagaroso,
perco o ônibus que me leva à escola...


Poema escrito em algum dia do mês de setembro ou outubro de 2008.

Lembrança

        Em um desses dias atrás descobri que alguns amigos meus cursaram o jardim-de-infância na mesma escola que eu. Confesso que não lembro nem um pouco deles naquela época. Há poucas lembranças nítidas dessa época na minha mente, e a grande maioria é do prèzinho (sim, esse acento já esteve correto um dia: http://bit.ly/WDEZU ) quando eu já era um pouco mais crescido.
        Porém lembro-me de algo muito bem, um fato que talvez seja a memória mais antiga que eu tenho dessa escola: a hora de escovar os dentes. Depois do lanche as professoras nos levavam, juntos, até uma grande pia, para escovarmos os dentes. Penso que isso deveria ser um recurso meramente pedagógico, algo para ensinar as crianças a tornar a higiene bucal parte de suas rotinas. Eu não conheço muitas pessoas hoje que possuem o hábito de escovar os dentes depois de um mero lanchinho. Devo dizer inclusive que isso deixou de acontecer no pré.
        Naquela idade eu tinha um certo senso de coletivismo, ou, pelo menos, uma menor rigidez em separar as posses próprias e do próximo. Pensando bem, talvez seja muito mais um individualismo do que coletivismo, pois tudo que estivesse ao alcance da mão poderia parar dentro dela de acordo apenas com a minha vontade, e não havia grandes preocupações sobre de quem era aquilo.
         Assim era o que eu fazia na hora de escovar os dentes: decidia diariamente com qual daquelas coloridas e divertidas escovas sobre a pia eu iria escovar os meus dentes. Havia várias, muitas delas fascinantes. Algumas mudavam de cor na água gelada, outras traziam em seu cabo personagens dos nossos desenhos animados favoritos, e outras simplesmente possuiam as cerdas engraçadas e despertavam a vontade de usá-las pelo menos uma vez. Eu simplesmente escolhia a que mais me chamava atenção, só isso. Apenas não escolhia as escovas nitidamente femininas, não eram do meu agrado.
        Isso ocorreu não sei por quanto tempo, até que um certo dia, para minha surpresa, a professora (ou "tia") da classe tirou da minha mão uma dessas escovas incríveis e disse:
         - Eduardo! Não pode usar as escovas dos outros! Use a sua. - e me entregou uma escovinha verde que não mudava de cor, nem sequer possuía algo de diferente nas cerdas ou no cabo, com excessão de uma etiqueta com símbolos que eu podia reconhecer mas não reproduzir: EDUARDO.
        Não posso deixar de dizer que, a partir daquele dia, escovar os dentes passou a ser muito menos divertido.